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Câmara Municipal de Mauá
a câmara   |   Memória do Legislativo

A Câmara de Mauá ajudou a escrever importantes páginas de nossa história local. Palco de inúmeras manifestações de caráter político-cultural, o poder legislativo sempre esteve em sintonia com os anseios de progresso e desenvolvimento que caracterizam a cidade de Mauá.

Conheça a história daqueles homens e mulheres que contribuíram para a construção da cidade como porta-vozes dos anseios e reivindicações da população.


LUCIO ANTONIO MADUREIRA: DA PAIXÃO POR UM PALHAÇO À CÂMARA MUNICIPAL

Entrevista concedida aos jornalistas Daniel Alcarria e Paulo Sérgio Cardoso em 27 de maio de 2013 na Câmara Municipal de Mauá
Texto: Daniel Alcarria

Filho primogênito de Miguel Antonio Madureira e de Leoniza Archanjo dos Reis, que tiveram mais sete filhos (Dorival, Maria, Sônia Maria, Vera, Dejanira, José e Hélio), Lucio Antonio Madureira nasceu em 15 de dezembro de 1946, na cidade de Cândido Mota, interior do Estado de São Paulo. Saiu de sua cidade natal com apenas 20 anos e, sozinho chegou à capital, no dia 06 de janeiro de 1967, de carona num caminhão que carregava milho porque não tinha dinheiro pra pagar passagem.

Na cidade grande começou sua vida laboral como apontador de obras numa construtora chamada Heleno Fonseca. Ficou na empresa de 1967 até 1970. Morou durante pouco tempo na capital, quando em 06 de novembro de 1967 chegou a Mauá, no Parque das Américas.

Casou-se com Olinda Ferracini Madureira no dia 11 de Julho de 1966, com quem teve os filhos Edilson, Élcio e Eliana.

Comprou um terreno no Parque das Américas e lembra que recebeu como parte do negócio “uma quantidade de tijolos, telhas, uma porta, uma janela e um vitrô, com os quais construiu um casebre e pulei dentro dele”, relata Madureira.

Lucio Madureira lembra como era o bairro naquela época: “a maioria das casas era barraco e havia mutirões todo domingo para ajudar as pessoas construírem suas casas, que não tinham água encanada, energia elétrica, o bairro não tinha ônibus, nada!”. Aliás, lembra e recorda Lucio que morou por dois anos com a família usando lamparina por conta de falta de energia elétrica.

Em 1970 entrou no SENAI (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) para estudar os cursos de torneiro mecânico, ferramentaria e desenho mecânico. Depois trabalharia como torneiro mecânico por um ano, numa metalúrgica fabricadora de peças.

Após estudar e se formar no SENAI, em 1972 partiu para o curso de MADUREZA, pois possuía até então apenas a 4º série e admissão e, em um ano, fechou todas as matérias. Logo em seguida fez curso de contabilidade no Colégio Humberto de Campos, em 1973 e no ultimo ano de curso abriu um escritório de despachante e contabilidade em Mauá, em 1974.

Em 1975 prestou vestibular na Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo, que ofereceu naquele ano 240 vagas. Orgulhoso, Madureira lembra que foram 5780 inscritos e ele passou em 241º lugar entre os concorrentes. Iniciou os estudos na Faculdade de Direito em 1976 e concluiu o curso em 1980.

MADUREIRA E A POLÍTICA

A política entrou na vida de Madureira “meio que por acaso”, conforme relata ele próprio. “Nunca havia pensado em ser político na minha vida, não me achava capaz de ser político, de fazer política”. Sua primeira experiência com a política ocorreu efetivamente nas eleições municipais de 1969, quando apoiou a candidatura de Anselmo Walendy ao executivo mauaense.

Nesta eleição, concorreram ao cargo de prefeito os candidatos Américo Perrella (ARENA) e pelas sublegendas do MDB Amaury Fioravanti, José Mauro Lacava, além de Anselmo. Perrella venceu com facilidade.

Anselmo Walendy era um político com ativa militância no município e fez parte do grupo de autonomistas que conquistaram a independência da cidade em 1953. Walendy era também artista circense, tendo dirigido o “Gran Circo Teatro Ravel”, que, segundo Lucio Madureira, foi quem lhe chamou atenção para a política. E rememora: “Quem me chamou atenção pra vida pública foi aquele palhaço, de cabelo cumprido, que ao vê-lo fazer discurso no picadeiro, pedindo voto para sua candidatura a prefeito de Mauá, me encantou profundamente. A sua forma simples, até meio ingênua, mais de uma verdade que prendia a atenção dos ouvintes; hoje sei que sem dinheiro não se faz campanha, daí para ser eleito então, mais acho que fui abduzido por ele para a política”, relata.

Depois veio o Dr. Rimazza, hoje um grande advogado, que havia conhecido nos campos de futebol da cidade. Lucio Madureira ajudou na campanha que elegeu Rimazza, então um trabalhador na Petroquímica União, que foi eleito vereador e presidente da câmara entre 1975 e 1976.

Lucio Madureira foi eleito pelo então Movimento Democrático Brasileiro, o MDB, precursor do atual PMDB, em 1976. Sua chegada à sigla tinha seguido uma linha meio que “no acaso, sem querer, sem pensar em ideologia”, como afirma Madureira. Ainda segundo Lucio, “eu não concordava com as atitudes dos militares, as coisa que via pelos jornais, pelo rádio e TV, os absurdos cometidos pelos militares e como só tinha dois lados, eu automaticamente fui para o MDB, que eu achava que era o lado mais certo”, relata.

Madureira foi também participante na igreja católica, onde participou da comunidade São Felipe, no Parque das Américas, com o Padre José Mahon, onde inclusive ajudou na construção da paróquia. “Eu e o padre virava a broca para fazer os alicerces da Igreja”, afirma Lucio.

Ainda na São Felipe, sua militância não propunha o interesse político eleitoral, de participar de eleições como candidato, nem passava por sua cabeça. Mas quando veio a época das filiações, no início de 1976, o próprio João Rimazza chamou Madureira para se filiar no partido para ajudá-lo.

Sua candidatura surgiu por acaso, para completar a chapa do MDB. “Como eu gostava da política e de realizar trabalhos comunitários, freqüentava campos de futebol, tinha vários amigos, havia sido vendedor, tinha escritório de contabilidade e era ativo na cidade, me filiei ao partido mais para ajudar o Rimazza e acabei sendo eleito”, relata Madureira.

E prossegue: “quando foi realizada a convenção do MDB, em 1976, faltou lá um candidato, quando o Rimazza me convidou para ser candidato a vereador. Resisti bastante à idéia, já que não tinha condições financeiras para participar. Aí, o Manoel Moreira, candidato a Prefeito, me chamou e disse que ia ajudar com panfletos e fui ser candidato. Como a política tinha entrado como sangue na veia, não foi difícil adaptar a campanha e com criatividade e trabalho acabei adotando um guarda chuva como slogan. Fiquei conhecido como o homem do guarda chuva, pois tinha muita dor de garganta andando pelo garoa e assim acabei sendo eleito com 683 votos, sendo o 6º mais votado”.

O então candidato Madureira não tinha nenhuma idéia de o que era ser candidato, tanto que o próprio ficou surpreso com o resultado. Conta que saiu às ruas, de casa em casa pedindo voto, com a ajuda de alguns amigos e foi eleito. Alguns que recorda com saudade, como o compadre Chapéu, Felipe, Paulo fotógrafo, José Orlando, Dionísio, Manoel Manolo e outros.

Depois foi candidato à reeleição em 1982, quando segundo relato de Madureira, “perdeu as eleições na contagem dos votos”. “Infelizmente não gosto de falar sobre isso, mas perdi na chamada mão grande, pois os votos eram ainda de cédulas e contados manualmente, fatos esses que contribuíram para o a transferência do juiz eleitoral da cidade na época para outra Comarca e o responsável direto pelo cartório eleitoral e responsável pela contagem de votos acabou sendo exonerado do serviço público, fato esse bastante comentado na época na cidade,” dispara Lucio Madureira.

SOBRE O MANDATO

Madureira assumiu mandato como vereador em 1º de fevereiro de 1977, com muito entusiasmo, ideologia para fazer as coisas de forma honesta e correta, projetos, idéias. Lembra que já chegou fazendo requerimento, indicação e foi à época o vereador que mais apresentou proposituras.

Madureira atuou em diversas áreas e relembra que foi o vereador que propôs que as linhas de ônibus deveriam sair das avenidas e entrar nos bairro. Relata que “a primeira linha foi o do Jardim Bom Recanto e foi na marra, sendo a primeira linha de ônibus que saiu da avenida e entrou no bairro”, afirma. Outros projetos de sua autoria: a instalação da feira livre da Rua Havana, o ponto de táxi frente ao Hospital Nardini e, em conjunto com o vereador Manoel Monteiro Hauk, o projeto da criação da funerária municipal. E uma das reivindicações que mais deram trabalho foi a participação efetiva na instalação da Estação de trem do Guapituba, onde foi várias vezes para Brasília, chegando a ser recebido no Ministério dos Transportes pelo então Ministro Eliseu Resende, que garantiu a Madureira que a parada de trens seria construída. As obras tiveram inicio em 23 de agosto de 1982.

Sobre a estória do calçadão, Madureira lembra que havia preparado um croqui, entre os anos de 1977 ou 1978, do que seria a idéia de um calçadão na área central da cidade. O vereador levou os croquis para os comerciantes do centro e lembra que a maioria deles foi contra a idéia do calçadão. “Fui praticamente escorraçado pelos comerciantes, que diziam que eu era louco, que acabaria com o comércio. Passado alguns anos, o então prefeito Oswaldo Dias fez o calçadão e o tempo provou que eu não era tão louco assim. Certa vez, andando pelo calçadão já instalado e construído, vários comerciantes que eram contra o calçadão na época vieram me pedir desculpas, dizendo que eu estava além do tempo deles”, afirma Lucio.

A relação de Lucio Madureira com o Prefeito Dorival Resende não era das melhores, ainda que pertencessem ao mesmo MDB. Madureira afirma que o chefe do executivo “não tinha boas intenções, embora tivesse secretários muito bons, mas ele era mal intencionado e infelizmente, talvez por conta do projeto da funerária, fiquei praticamente todo mandato brigando com ele, eu não concordava com a forma dele governar, então fiquei praticamente todo esse tempo na oposição”, conforme relata.

O vereador Lucio Antonio Madureira não participou de nenhuma comissão permanente, mas ocupou a 1º Secretaria entre os anos de 1977 e 1978 e depois a vice-presidência da Câmara Municipal no biênio 1981/1982. Presidiu a CPI do então Cemitério Jd Canadá, que sequer saiu do papel, muito embora o Prefeito chegasse a fechar a área de alambrado, terraplanagens, mas segundos os técnicos, a terra não era compatível para sepultamento de corpos por ser praticamente argila. Como membro da CPI contra o então prefeito Dorival Resende, participou de uma comissão de regularização de loteamentos irregulares e clandestinos, inquirindo loteadores. E nos anos 1993 a 1997 trabalhou na Prefeitura a convite do prefeito José Carlos Grecco como procurador do município e acabando por dar continuidade na regularização de vários loteamentos, tais como, a regularização do Parque das Américas que arrastou por mais de 30 anos, do Jardim São Sebastião, Cecília Tereza, Aracy, Campo Verde e outros.

Um fato interessante aconteceu quando da 2ª votação para criação da funerária municipal de Mauá. Madureira estava na Faculdade realizando uma prova, portanto não participaria de uma sessão extraordinária para votar outras matérias. Acontece que por pressão, o projeto da funerária acabou sendo incluído na pauta, pois o prefeito não concordava com as mudanças feitas pelos vereadores, especialmente por Madureira e pretendia não aprová-lo. Acontece que ao reiniciar a sessão para votar o projeto, Madureira passou lá por acaso após a voltar da faculdade e estando presente, votou pela aprovação do projeto que criava a funerária municipal.

As más línguas afirmaram que Madureira estava escondido atrás da porta e só saiu para votar o projeto e o Jornal do Grande ABC noticiou o evento da seguinte forma: “Vereador Madureira deu uma rasteira na turma do Prefeito, saiu sorrateiramente do esconderijo e foi o voto que faltava para aprovar o projeto”. Apenas histórias dos bastidores da política e nada mais.

COMPOSIÇÃO DA CÂMARA MUNICIPAL DE MAUÁ-1977/1982

Admir Jacomussi
Alexandre Maciano Ratti
Almerinda Leivinia Araújo Silva
Antonio Aparecido Silveira
Claudio Montanari
Cícero Romão de Araújo
Edgard Grecco Filho
Francisco Alfredo de Souza
Lucio Antonio Madureira
Luiz Alesina
Manoel Monteiro Hauck
Milton Augusto do Nascimento
Orlando Francisco
Raimundo Galindo dos Santos
Renzo Fávero

Feira livre da Rua Havana no Parque das Américas, um dos projetos do vereador Madureira
Foto: Acervo de Lucio Antonio Madureira



Visita do advogado e cientista político, ex Governador de São Paulo, Dr. Cláudio Lembo, no escritório do Vereador Madureira. Com a presença do Vice- Prefeito Éden Brasil da Paz (1º à direita), o Vereador e Presidente da Câmara Alexandre Ratti numa aula sobre democracia liberal.
Foto: Acervo de Lucio Antonio Madureira




Participação do Vereador Madureira na tribuna da Câmara de Mauá numa visita partidária, com participação do Ex-Prefeito de São Paulo Olavo Setubal, Claudio Lembo, Deputado Estadual Waldemar Chubacci, o vice-prefeito Éden Brasil da Paz e diversos munícipes.
Foto: Acervo de Lucio Antonio Madureira



Foto do ônibus da linha Jd. Bom Recanto passando pela Vila Ana/Kennedy. Essa foi à primeira linha a sair das avenidas e adentrar no bairro, um projeto de difícil implantação, pois aumentaria os custos operacionais da empresa e seria o início da flexibilização para outras linhas como de fato ocorreu, mais era de vital interesse da população trabalhadora de Mauá que tinham que caminhar a pé até as avenidas onde circulavam os ônibus.
Foto: Acervo de Lucio Antonio Madureira



Participação do vereador Madureira e diversas munícipes no primeiro dia que se iniciou a construção da Estação do Guapituba em 23 de Agosto de 1982 no Parque das Américas.
Foto: Acervo de Lucio Antonio Madureira





Vereador Madureira representando a Câmara de Mauá num curso no IBAM (Instituto Brasileiro de Administração Municipal) no Estado do Rio de Janeiro que versava sobre a aplicação dos recursos públicos e como fiscalizá-los a sua boa e real e aplicação.
Foto: Acervo de Lucio Antonio Madureira



Participação dos vereadores Madureira, Raimundo Galindo, Alexandre Ratti e Cícero Romão em confraternização com moradores de Mauá numa partida de futebol representando a Câmara de Mauá no festival esportivo de 1º de Maio elaborado pelo Independente F.C. O time da Câmara foi vice- campeã, perdendo a final para o time dos taxistas.
Foto: Acervo de Lucio Antonio Madureira



Madureira em Brasília numa audiência com o Ministro da Justiça Ibraim Ab-Akil, acompanhados pelos Deputados Federais Mendes Botelho e Benedito Marcílio e o jornalista do grande ABC Alexander Javanovic, apresentando diversas reivindicações da região do ABC.
Foto: Acervo de Lucio Antonio Madureira



Vereador Madureira recebe a visita do Senador Quércia em Mauá que participa de diversas atividades na região.
Foto: Acervo de Lucio Antonio Madureira



Lucio Antonio Madureira em 27 de maio de 2013
Foto: Paulo Sérgio Cardoso


JOSÉ MARCIAL DA SILVA: A VOZ DAS COMUNIDADES NO PARLAMENTO

Por DANIEL ALCARRIA


JOSÉ MARCIAL DA SILVA

José Marcial da Silva nasceu em 03 de outubro de 1933 na cidade de Manhuaçu, estado das Minas Gerais. Em sua cidade natal viveu por 25 anos, onde trabalhou na roça como lavrador. De origem humilde, José Marcial e seus 11 irmãos logo cedo conheceram as dificuldades da vida numa época que o Brasil ainda engatinhava em seu processo de industrialização, fator determinante na mudança de Marcial e seus familiares para o ABC.

Filho de Manoel Moreira Marcial e Efigênia Maria Marcial, José Marcial da Silva chegou a São Paulo no ano de 1958, quando em 20 de outubro daquele ano foi admitido nas Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo (IRFM), ainda residente em São Caetano do Sul.

Em São Caetano morou durante seis anos, chegando a Mauá no dia 16 de junho do ano de 1964. Na IRFM trabalhou durante 24 anos como ceramista, fazendo azulejos, depois se tronando chefe de sessão, onde comandou 136 trabalhadores. Nessa empresa, trabalhou até o dia 21 de outubro de 1982. Em 1983, a Matarazzo declarou falência.

Casou-se com a Sra. Celestina Maria Marcial da Silva ocorreu em 20 de setembro de 1954, na cidade de Simonésia, Minas Gerais. Com Dona Celestina teve seis filhos, que lhe deram onze netos e quatorze bisnetos.

Morando em Mauá, é na Vila Independência que surge a vocação para a política. Marcial relembra que quando chegou à cidade “era tudo mato” e de quando entrou para a associação de moradores do bairro, no inicio da década de 80. Segundo Marcial, “a Sociedade Amigos da Vila Independência havia sido fundada em 1975 e uma vez o Prefeito Resende esteve reunido com os membros da associação para falar sobre o asfalto, e o Luiz Rufino (então Presidente) disse que o bairro não precisava de asfaltamento, pois não havia muitos moradores, não tinha muita gente e não precisava da melhoria”.

Os moradores do bairro ficaram revoltados e a partir daquele momento Marcial e outros líderes populares se organizaram e montaram uma chapa pra concorrer às eleições da Associação. A chapa encabeçada por José Marcial venceu, e ele exerceu durante três anos mandato de presidente da entidade.

A partir de então, continuaram as lutas pelo asfaltamento do bairro, assim como pela rede de esgoto, pela colocação de guias e sarjetas, pela implantação de serviço de água e luz, que foi conquistado logo após sua gestão frente à Associação. “Mudamos a cara do bairro”, relembra José Marcial.

Depois continuou realizando trabalhos sociais e participava ativamente da comunidade da igreja católica. Marcial destaca a relação com o bairro: ”Tudo o que o bairro precisava, nós reuníamos para reivindicar. As pessoas do bairro falavam que eu fazia mais que muitos vereadores sendo líder comunitário, fato que entusiasmou a gente a sair candidato a vereador. Não era meu objetivo ser político”.

Após brilhante atuação na associação de moradores da Vila Independência, Marcial também deu sua contribuição no Conselho Tutelar, quando exerceu mandato de conselheiro entre os anos de 1994 a 1996. Na eleição para o órgão, ocorrida em 1993, foi o último a ser inscrito e teve 1006 votos dentre os 63 candidatos. Emocionado, lembra-se das dificuldades da época, quando sua esposa adoeceu gravemente e que a comunidade deu grande apoio e ajuda para sua família.


A VEREANÇA


Antes de assumir enquanto conselheiro tutelar, José Marcial já havia sido candidato em 1992, quando perdeu as eleições para vereador por 21 votos; em sua segunda disputa para o cargo, foi eleito em 1996 com 1.774 votos. Foi reeleito em 2000 com 2.232 votos.

Em seu primeiro mandato como vereador ocupou a Comissão Permanente de Cultura e Assistência Social, representou a Câmara no 3º Congresso Nacional dos Municípios, ocorrido em Natal, Rio Grande do Norte, no ano de 1999. Dentre seus projetos destacam-se os que garantem a proteção ao meio ambiente através de controle do destino de recipientes de vidro, plástico, papel e metal no âmbito de nosso município, apontando para a necessidade de ampliar as políticas locais de reciclagem.

Apresentou também inúmeras indicações, requerimentos, moções e demais proposituras, dentre as quais a que disciplina ação de motociclistas à serviço de empresas de entrega rápida e a que cede estabelecimentos escolares para uso da comunidade local nos finais de semana.

Marcial teve também ativa militância política no Partido dos Trabalhadores (PT). Lembra entusiasmado de quando conheceu o então sindicalista Luis Inácio Lula da Silva. “Lula mudou a cara do sindicato e do próprio sindicalismo brasileiro, mobilizando a classe trabalhadora para as conquistas que se seguiram após as lutas e mobilizações”, destaca Marcial. E segue, afirmando que “a partir de então os trabalhadores do Brasil inteiro começaram a pensar na criação de um partido da classe trabalhadora, de uma organização política que representasse os interesses da classe operária e naquele momento todos estavam entusiasmados para isso”.

Apesar da intensa militância no PT, José Marcial nunca participou como membro da direção do partido em Mauá. (entrevista concedida ao jornalista Daniel Alcarria em 11 de junho de 2012. Fotografia e montagem: Daniel Alcarria)

Composição da Câmara Municipal à época – 1997 a 2000:

Presidente: Hélcio Antônio da Silva
Vice-Presidente: Silvar Silva Silveira
1º Secretário: Wagner Rubinelli
2º Secretário: Francisco Esmeraldo Felipe Carneiro
3º Secretário: Manoel Lopes dos Santos

Vereadores
Admir Jacomussi
Alberto Betão Pereira Justino
Cincinato Lourenço Freire Filho
Claudete Porto de Souza Lopes
Diniz Lopes dos Santos
Donisete Pereira Braga
Francisco de Carvalho Filho
Francisco Esmeraldo Felipe Carneiro
José Marcial da Silva
João Vianney de Lima
Hélcio Antonio da Silva
Lourival Lolô Rodrigues Fargiani
Luiz Carlos Pegoraro
Manoel Lopes dos Santos
Miguel Lajarin Hernandes
Olivier Negri Filho
Vicente de Paula Carvalho da Silva
Zeferino Ferreira de Souza
Sérgio Luiz Walendy
Silvar Silva Silveira
Wagner Rubinelli


Composição da Câmara Municipal 2001 a 2004:

Presidente: Hélcio Antônio da Silva
Vice-Presidente: Zeferino Ferreira de Souza
1º Secretário: Luiz Antonio Grigio
2º Secretário: Altino Moreira dos Santos
3º Secretário: Arissol Miranda

Vereadores
Admir Jacomussi
Alberto Betão Pereira Justino
Altino Moreira dos Santos
Claudete Porto de Souza Lopes
Diniz Lopes dos Santos
Carlos Alberto Polisel
Francisco de Carvalho Filho
Luiz Antonio Grigio
José Marcial da Silva
José Rogério Moreira Santana
Hélcio Antonio da Silva
Lourival Lolô Rodrigues Fargiani
Arissol Miranda
Manoel Lopes dos Santos
Otávio Godoy
Sidnei Sabela
Paulo Soares Bio
Zeferino Ferreira de Souza
Terezinha Luiz Ferreira
Silvar Silva Silveira
Wagner Rubinelli


(entrevista concedida ao jornalista Daniel Alcarria em 11 de junho de 2012. Fotografia e montagem: Daniel Alcarria)



JOÃO LOPES JUNIOR: as lembranças da efervescência política mauaense

Por Daniel Alcarria


JOÃO LOPES JUNIOR

João Lopes Junior, natural de Indaiatuba, interior de São Paulo, nasceu em 14 de fevereiro de 1932. Filho de João Antonio Lopes e Maria Sanches Lopes, espanhóis de origem e camponeses da região de Campinas, logo transferiram moradia para a região do grande ABC. João Lopes Junior é o terceiro filho do casal, que também teve Ramon, Manoel, Ana, Lourdes e Hilda, completando ao todo seis filhos.

O apelido FANICO ele ganhou durante a infância, quando os pais chamavam João Lopes de “Juanito” ou “Juanico”. Com o tempo e o abrasileiramento do termo, “Juanito” acabou Fanico.

Chegou à Mauá, junto de seus familiares, no ano de 1942. Na região, ainda durante a adolescência, formou-se como frezador e torneiro mecânico, tornando-se operário metalúrgico na crescente economia do ABC baseada na produção voltada para a Indústria Automobilística. Trabalhou nas Porcelanas Mauá e Real, em Mauá e nas metalúrgicas General Eletric e Thompson, ambas em Santo André.

Casou-se em 1956 com Teresa Silva Lopes, com quem teve seus três filhos (Sueli Lopes Florentino, Rogério Lopes e Suzana Lopes). Depois dos filhos, a alegria da família aumentou com a chegada dos netos Amanda, Diego e Maysa.

Antes de ingressar na vida pública, porém, João Lopes ainda foi comerciante. Por sinal, devido ao êxito nessa função, foi convidado em 1972 para concorrer à vaga de vereador pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Logo em sua primeira disputa eleitoral foi eleito como o 3º mais votado da legenda, com 706 votos. João Lopes concorreu ainda nas eleições de 1976, mas não conseguiu ser reeleito.

Exerceu mandato como vereador de 1º de fevereiro de 1973 a 31 de janeiro de 1977 e relembra das dificuldades que era o exercício parlamentar numa época em que os vereadores sequer recebiam qualquer tipo de subsídio. “Era por pura vontade de ajudar a cidade mesmo”, diz João Lopes. Durante seu mandato foi secretário da Comissão de Justiça e Redação e vice-líder do então Prefeito Amaury Fioravanti. Não exerceu cargo na mesa diretora.

“A cidade não tinha praticamente nada, mas já apresentava os problemas como falta de asfalto nas vias, problemas com abastecimento de água entre outros, mas fazíamos o que era possível”, relembra João. A Câmara era, na época, composta por 15 vereadores (veja lista abaixo) e a estrutura de trabalho era precária. E prossegue: “Para se ter uma idéia, a Câmara possuía um Opala velho que servia a todos os vereadores. Era uma briga para agendar o automóvel, que era dirigido apenas pelo presidente” relata.

Ainda em seu depoimento, João Lopes Junior lembra, com muito bom humor, do dia em que a Câmara iria votar a cassação do então Prefeito Amaury Fioravanti. “No dia da Sessão, no ano de 1974, o então Presidente Aparecido Sanvidotti, da base de sustentação do Prefeito, nos convidou para uma churrascaria em São Bernardo do Campo. Foi um seqüestro político relâmpago”, relembra hoje aos risos. Por fim, a Sessão não atingiu quorum mínimo de vereadores e o Amaury não foi cassado.

Aliás, o período de efervescência política pela qual passava Mauá tinha sua origem justamente na Câmara Municipal. Por mais estranho que possa parecer, o pedido de cassação do Prefeito Amaury Fioravanti (MDB) tinha sido encaminhado por um vereador da bancada de “sustentação”, já que o vereador Aparecido Sanvidotti também era emedebista. Para João Lopes Júnior, “os dois tinham problemas pessoais e o Sanvidotti misturou as coisas”, afirma.

João Lopes também protagonizou com Aparecido Sanvidotti brigas para além do parlamento. “Chegamos a brigar no bar por conta do processo de cassação do Amaury”, relembra. “Numa das sessões, chamei o Sanvidotti de bobo e palhaço, aí o clima esquentou; quando afinal os ânimos estavam mais calmos, o Sanvidotti retrucou: queiram ou não, vocês vão ter que engolir o Sanvidotti com casca e tudo.” Depois de tudo que passou os octogenários ex-vereadores sempre estão se encontrando, sem ressentimentos e com muito respeito, afinal, as brigas ficaram apenas como marcas na história política de Mauá.

Composição da Câmara Municipal de Mauá à época

Presidente: Aparecido Sanvidotti
Vice-Presidente: Orlando Francisco
1º Secretário: Antonio Ceccon (licenciado de 19/04/1974 a 31/07/1974)
2º Secretário: Manoel Monteiro Hauck

Vereadores:
- Adelson Alves Silva (suplente)
- Admir Jacomussi
- Benedito Loiola de Lima
- Cláudio Montanari
- Francisco Alfredo de Souza (suplente)
- Geraldo Cavalcante Pereira (licenciado de 25/04/1974 a 31/07/1974)
- João Lopes Júnior
- João Sérgio Rimazza
- Leonel Damo
- Luiz Irineu Bassetti
- Manoel Lopes
- Milton Augusto do Nascimento
- Nelson José Polydoro (12/12/1974 - perdeu o cargo por ser funcionário da PMM)
- Pedro Fernandes da Silva (suplente)
- Renzo Fávero (12/12/1974 - perdeu o cargo por ser funcionário da PMM)
- Sebastião Raimundo da Silva (assumiu no lugar do Ver. Renzo Fávero entre 08/02/1974 e 09/04/1974)


(entrevista concedida aos jornalistas Paulo Sérgio Cardoso e Daniel Alcarria em 11 de abril de 2013. Fotografia: Paulo Sérgio Cardoso. Montagem: Daniel Alcarria)



CELCINA PEREIRA FERNANDES: A PARTICIPAÇÃO DA MULHER NOS MOVIMENTOS SOCIAIS E POLÍTICOS DE MAUÁ

Por Prof. William Puntschart

CELCINA PEREIRA FERNANDES


Celcina Pereira Fernandes nasceu em Colina, interior de São Paulo, em 1936. Mais tarde, no início da década de 1950, mudou-se para Santa Fé do Sul, SP, onde conheceu o futuro marido, Waldemar Fernandes.

Ainda jovem começa atuar na Igreja Católica, como catequista nas Legiões de Maria, comunidade pastoral responsável por levar o evangelho às comunidades locais mais pobres. Também em Santa Fé, Celcina vive sua primeira experiência política ao integrar o movimento pela emancipação político-administrativa do então distrito de Jales.

Casada desde 1958, passa a residir em Mauá após o marido obter emprego de ferramenteiro na Volkswagen. Assim, com a família composta dos filhos Osmar, João Veríssimo, Maria Cristina, Rômulo César e Mara Teresa, o casal adquire em 1972 um terreno no Parque das Américas, onde após alguns anos nasceriam Marcelo Vinícius e Bruno Daniel.

Na época, os movimentos sociais possuíam forte influência religiosa, principalmente devido à opção da Igreja Católica pelos mais pobres, as chamadas Comunidades Eclesiais de Base (CEB’s). No Parque das Américas destacava-se Padre José Mahoun, religioso progressista, nascido na França no começo do século passado, conhecido ao longo da década de 1960 como o padre operário francês. Preso várias vezes, entre os anos de 1980 e 1985, pelo regime militar, devido seu apoio ao movimento grevista no ABC paulista, Mahoun incentivou a participação das donas de casa em sua luta por melhorias para o bairro.


Assim, ao atuar como ministra da palavra de Deus, Celcina percebe a necessidade de ocupar outras instâncias da vida social e política. Com tais perspectivas, ingressa na Associação das Donas de Casa, criada no Parque das Américas em 1971, na qual já atuavam Diva Alves, Esmeraldina Francisca e Ana Augusta, ou Ana da Terra, entre outras. O principal intuito da associação era mobilizar os menos favorecidos na luta por avanços sociais para a cidade e o bairro.

Com isso em mente, após o combate ao surto de meningite, causado pela falta de saneamento básico no bairro, a Associação das Donas de Casa consegue a instalação do primeiro posto de saúde no bairro. Também obtém a canalização do esgoto das principais ruas com o devido asfaltamento. Além de tudo isto, outra importante conquista foi a edificação da Estação do Guapituba, com a qual se rompeu o triste ciclo de mortes causadas pela travessia da extinta parada 48.

Com relação à luta pela construção da Estação do Guapituba, Celcina recorda que foi longa e triste. Em protesto contra as mortes os membros da Associação levantaram uma cruz próxima à linha do trem - nomeada D Oscar Romero, religioso salvadorenho falecido no início dos anos 1980. Ao lado da cruz lia-se em uma faixa: O bairro chora seus mortos, queremos justiça!

Defensor da causa, Padre José Mahoun, por diversas vezes, celebrou missas públicas em memória aos mortos, principalmente crianças atropeladas. Mobilizadas, as mulheres da comunidade entregaram no Palácio do Governo manifesto ao então governador do Estado de São Paulo, Paulo Maluf, eleito pelo Colégio Eleitoral, exigindo a construção da estação. Porém, somente em junho de 1983 foi inaugurada a Estação do Guapituba, no lugar do antigo posto teleférico da São Paulo Railway.

Em decorrência dessa militância nos movimentos sociais e organizações populares, Celcina e outras lideranças locais participam ativamente da criação do Partido dos Trabalhadores na cidade, em cujas reuniões participaram Beth Mendes, Clara Ant e Irma Passoni, entre outras figuras de expressão do partido.

Acerca dos principais fatos da trajetória do partido em Mauá, deve-se consultar o trabalho de Nilton Cezar Santos, Resgate da história: Partido dos Trabalhadores. O autor destaca, entre outros episódios, o lançamento da legenda que ocorreu na Concha Acústica, na Praça 22 de Novembro em 11 de abril de 1981, com a presença do então candidato ao governo do Estado de São Paulo, Luis Inácio da Silva. Já sobre o processo eleitoral de 1982, observa que o PT na cidade, devido às divergências internas, lançaria dois candidatos a prefeito: Francisco Roberto Grígio e Luis Soares.

Seja como for, o fato é que Celcina mesmo sem recursos financeiros, mas com o apoio e reconhecimento dos moradores, tornou-se vereadora nesse processo eleitoral com 884 votos, juntamente com a companheira Léa Aparecida de Oliveira, que obteve 1023 votos. Nessas eleições também foram eleitos pelo PT Wladimir Tadeu Borogan e Juracy Fernandes da Cruz, respectivamente com 1202 e 893 votos.

De sua atuação na Câmara Municipal de Mauá, então estabelecida na Praça 22 de Novembro em frente aos Correios, Celcina destaca, entre as diferentes proposituras, a que declarou de utilidade pública a Associação de Promoção Social e Educação Popular (APROSEP), cujo presidente e fundador Márcio Chaves seria substituído mais tarde pelo vereador Rômulo Cesar Fernandes.

Hoje, viúva com sete filhos e dez netos, Celcina se diz realizada não só porque participou de um movimento vitorioso na cidade, capaz de proporcionar melhores condições de vida para muitos munícipes, mas principalmente por demonstrar a necessidade da participação da mulher na vida política da cidade.

(Entrevista concedida ao Prof. Willian Puntschart e Daniel Alcarria em 22 de fevereiro de 2013. Fotografia: Daniel Alcarria / Acervo do Museu Barão de Mauá. Montagem: Daniel Alcarria)



LEMBRANÇAS DE JORGE PASCHOALICK: PRIMEIRO PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE MAUÁ

Por Willian Puntschart
Publicado no Jornal “A VOZ DE MAUÁ” em 1º de outubro de 1998

Desde o inicio do corrente ano, de 1998, a Casa de Cultura e Museu Barão de Mauá, através do Projeto: “Encontros com professores para discussões sobre a história local”, tem recebido personalidades que se destacaram no passado da cidade, a fim de que os mesmos possam dar suas versões dos fatos, identificar imagens urbanas e caracterizá-las no contexto histórico.Dessa maneira, além de recuperar-mos importantes períodos e fatos da história local e mesmo regional, aprofundamos a prática da história oral, moderna técnica historiográfica, com a qual tem-se construído, de fato, parte da memória social.

Com tal intuito, honrou-nos com sua presença o Sr. Jorge Paschoalick, cujo depoimento permitiu aos presentes importantes reflexões acerca dos principais acontecimentos políticos ocorridos no então recém criado município de Mauá.Além de outros interessantes ensinamentos frutos de sua história de vida.Por exemplo, antes mesmo de residir definitivamente em Mauá, já havia atuado na Revolução de 1932, nas fileiras paulistas, contra a ditadura de Getúlio Vargas.Conforme suas observações, este movimento que também entraria para a história como Revolução Constitucionalista, ou ainda, M.M.D.C., em referência às iniciais dos nomes de quatro estudantes de Direito mortos nos confrontos em São Paulo, foi o mais importante episódio da história do Brasil do qual participou.

No inicio da década de 1950, adquire uma área em Mauá, onde constroe sua casa.Entre os motivos que fizeram tomar esta decisão destaca, inicialmente, a queda da qualidade de vida na capital paulista, além do baixo preço dos terrenos mauaenses, na ocasião, bem abaixo dos praticados no mercado e, ainda, as condições de pagamento,já que teve o prazo de dez anos para quitar o imóvel época, a cidade vivia a efervescência político-administrativa frente à Santo André e Jorge Paschoalick decide participar do processo ao lado de importantes autonomistas, tais como: Egmont Fink, então presidente da Comissão Pró-emancipação, Tercilio Tamagnini, Manoel Pedro Junior, Américo Perella, Anselmo Walendy, Benedito Rodolfo Serf, Guido Bozzato, Vito Pedro Dell'Antonia e do Advogado Ariocy Rodrigues da Costa, dentre outros.

Mais tarde, já na condição de Presidente da Câmara de Mauá, Jorge Paschoalick foi responsável pela condução dos trabalhos no legislativo tendo, porém, que administrar as disputas políticas existentes.Para termos uma idéia das forças políticas representativas na época, basta lembrarmos que, durante o governo de Ennio Brancalion, os onze vereadores eleitos estavam assim organizados: quatro do PTB, três do PSP e um de cada dos seguintes partidos: PDC, PSD, UDN e PTN.Como se vê, entre a apresentação e aprovação dos projetos havia um árduo caminho de negociações.

De qualquer modo, Paschoalick orgulha-se da aprovação de pelo menos quatro de seus projetos.O primeiro, permitindo a expansão do serviço telefônico na cidade, já que, na época só havia uma linha telefônica, a qual, durante todo o período da manhã, era ocupado pelas industrias de porcelana locais.Em virtude disso, defendeu o seu projeto cuja aprovação só foi possível após contatos realizados pessoalmente com o então proprietário da CTBC, João Reis e da superação de algumas resistências políticas na Câmara.O segundo, refere-se à liberação de proprietários de bicicletas do pagamento de taxas de licenciamento.Interessante lembrarmos que o próprio Prefeito Ennio Brancalion utilizava-se desse meio de transporte, isto desde a época em que trabalhava nas pedreiras e militava no Partido Comunista Brasileiro.O terceiro, ampliando o serviço público de asfaltamento em toda a cidade, com o qual foi possível inclusive a interligação com Ribeirão Pires.

O último, e talvez o mais polêmico, fixou os feriados na cidade.De acordo com seus princípios político-partidário, membro do Partido Democrata Cristão, propôs o 8 de dezembro como data consagrada ao dia da cidade de Mauá.Isto porque, segundo seu raciocínio, além de ser o dia da justiça, também o é de Nossa Senhora Maria Imaculada.Muitos oposicionistas daquele período, até hoje, não aceitam a data, pois consideram mais correto o dia 22 de novembro, quando, em 1953, foi realizado o plebiscito, através do qual Mauá separou-se de Santo André.


Prof. Dr. Willian Puntschart, Historiador do Museu Barão de Mauá – Secretaria de Cultura, Esportes e Lazer da Prefeitura do Município de Mauá
 
 

LANDUALDO GOMES TEIXEIRA

Texto: Jornalista Daniel Alcarria
Entrevista concedida a Daniel Alcarria em 06 de junho de 2012.
Fotografia: Daniel Alcarria

LANDUALDO GOMES TEIXEIRA


Landualdo Gomes Teixeira nasceu em 28 de setembro de 1945 na cidade de Poções, Estado da Bahia. Seu pai, José Antônio Gomes e sua mãe, Dona Idalina Teixeira Gomes, eram lavradores e tiveram 13 filhos (nove mulheres e quatro homens).

A vinda para São Paulo ocorre em duas etapas: a primeira, com 16 anos de idade, em 1961 até 1969, quando trabalhou no comércio e outros pequenos estabelecimentos e em 1971, quando retornou da Bahia para São Paulo, casado com a Sra. Nilzete Alves de Oliveira Gomes, com a qual teve quatro filhos. (Clériston, Cléia, Cléber e Cleiton)

A vida no campo era muito difícil. Teixeira trabalhou na roça desde os sete anos de idade, junto de seus pais e irmãos e como relata Landualdo, “a gente aprendeu a trabalhar pequeno, quando saíamos da escola pra trabalhar na roça pela sobrevivência da família. Era muita dificuldade”, relembra.

Chegou a Mauá em 1973 e logo virou metalúrgico na Volkswagen, quando morou na Vila Bocaina, depois Vila Falchi, Vila Augusta e Jardim Haydée. Para Teixeira, a Volks foi uma grande escola, pois foi lá que conheceu e participou das lutas sindicais, da luta pela anistia e dos movimentos operários do final da década de 70 do século passado. Participou também do Congresso de fundação da CUT, o famoso CONCLAT (Congresso Nacional da Classe Trabalhadora), na cidade de Praia Grande-SP.

Após o período de adaptação em São Paulo e das inúmeras ações militantes, Teixeira ajudou na construção do PT, sendo um de seus fundadores em Mauá e lembra com orgulho que é o filiado número 2 na cidade. Exerceu também a Presidência do partido entre 1985 e 1987. Também militou na organização da Sociedade Amigos de Bairro da Vila Falchi, onde exerceu inúmeras funções, inclusive a Presidência.

O Núcleo do PT da Vila Falchi era um dos maiores do partido, e este também Teixeira ajudou a construir e foi justamente este coletivo que o indicou candidato à Vereador nas eleições de 1982. Relembra que na oportunidade estava desempregado e mesmo assim obteve 813 votos e ficou com a 1º suplência e o 5º mais votado do PT; assumiu no final da legislatura (por seis meses), em 1988, quando ocupou a vaga deixada pela Vereadora Léa Aparecida de Oliveira, também do PT, morta tragicamente num acidente automobilístico em 19 de junho de 1988.

Nas eleições de 1988, Landualdo Teixeira foi novamente o 5º mais votado do PT e eleito com 799 votos. Quatro anos depois, nas eleições de 1992, “tive uma grande decepção, quando perdi a eleição por 26 votos, aí nunca mais quis ser candidato”, revela. “Preferi ajudar outros companheiros e o PT, porque cargo político não é carreira, não é profissão. Tem cara que transforma aquilo ali em profissão, em carreira profissional, por isso acho que saí de cabeça erguida e com o sentimento do dever cumprido, afirma. Partido político foi só um, o PT. “Se o PT acabar acabo junto com ele, serei o último a apagar a luz”, preconiza.

Teixeira apresentou ao longo de seu mandato alguns importantes projetos, como o que proibiu a existência dos chamados “chiqueirinhos” nos ônibus municipais, o projeto de incentivo ao plantio de árvores frutíferas nas escolas e o projeto que homenageou a ex-vereadora Léa Aparecida de Oliveira. Foi também interlocutor da cessão do terreno ao Sindicato dos Metalúrgicos, localizado na Avenida Capitão João.

Durante o ano de 1989, a Câmara estava voltada para a elaboração da Lei Orgânica do Município. Teixeira relembra das dificuldades enfrentadas pelos Vereadores para a elaboração da LOM, na busca de dados, de referências que pudessem auxiliar o trabalho dos parlamentares.

Teixeira exerceu a vereança sempre na oposição, o que implicava na dificuldade de aprovação de projetos. Durante seu segundo mandato (1989-1992), tinha a companhia de mais sete vereadores do PT, que faziam ferrenha oposição ao Prefeito. O período é marcado por intensas passeatas, greves e mobilizações populares, que exigiam do Prefeito atenção à saúde, educação, saneamento básico, transporte, pavimentação entre outras reivindicações.

Landualdo Teixeira revela suas outras paixões além de Mauá e do PT: a família e o Corinthians, seu time de coração. Como mesmo afirma Teixeira, “nasci na Bahia, mas tenho Mauá como minha cidade natal, eu amo Mauá, adoro Mauá”, revela o coruja e corintiano pai e avô, orgulhoso de seus quatro filhos e cinco netos que Deus lhe deu. Em Mauá.





SÉRGIO ADALBERTO VIOLA

Texto: Prof. William Puntschart
Entrevista concedida a Severino Correia Dias
Fotografia: Daniel Alcarria

SÉRGIO ADALBERTO VIOLA


Sérgio Adalberto Viola, filho de João Viola e Pedra Branco Viola, nasceu em 3 de maio de 1933 na vila operária da Fábrica de Louças de Pó de Pedra Paulistana, na área do atual Tanque da Paulista. Seus avós, Francisco e Rosa provenientes da Calábria, sul da Itália, após casarem-se em 1893 em São Bernardo estabelecem-se no Corumbé, atual Zaira. Ali, Francisco Viola trabalha na Fábrica Grande, na produção de louças domésticas e refratárias em geral.

Vale destacar que ao longo do tempo a Fábrica Grande recebeu diferentes denominações. Inicialmente foi chamada Companhia Industrial do Pilar, mais tarde João Jorge Figueiredo S. A. e, depois, Miranda Coelho. Atualmente na área ocupada pela antiga indústria funciona o SESI-Zaíra.

Contudo, Sérgio Viola seguindo essa tradição ceramista da família, ainda jovem, foi trabalhar na Porcelana Mauá e, mais tarde, na Real atual Porcelana Schmidt. Demitiu-se para servir o Exército Brasileiro, entre 1954 e 1955, no Tiro de Guerra em Santo André. Com orgulho, ainda guarda na memória seu número de soldado: 266. Após a baixa do serviço militar, casa-se em 1956 com Iracema Amélia Branco, com quem tem um casal de filhos.

Concomitantemente ao serviço militar, Viola dedicava-se ao atletismo, modalidade com a qual conquistou prêmio de participação na Corrida de São Silvestre, fato inédito em Mauá, ao percorrer os 7.400 metros da prova. Dedicado, atuou como atleta amador pelo Independente de Mauá e, mais tarde, como profissional pelo São Paulo Futebol Clube. Já, em 1961, encerra suas atividades esportivas no Estrela do Oliveira, clube da capital paulista.

A militância política de Sérgio Viola, entretanto, tem início em 1959. Eleito Delegado do Sindicato dos Vidreiros e Ceramistas do Estado participa ativamente da luta pelo aumento salarial dos sindicalizados de Mauá e Ribeirão Pires, cujos vencimentos eram menores comparados aos de outros municípios. Com este propósito, segue para Brasília, na companhia de Elio Bernardes e Francisco Arnone respectivamente prefeitos de Mauá e de Ribeirão Pires. De acordo com o seu raciocínio, essa foi a maior luta sindical do ABC da qual participou.

Aproximavam-se as eleições de 1962, por sinal as últimas antes do golpe militar de 31 de março de 1964. Na cidade, o eleitor frente ao seguinte cenário político, votou respectivamente em:



Nessas eleições, Sérgio Adalberto Viola candidatou-se ao cargo de vereador pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), sendo eleito juntamente com os seguintes concorrentes representantes dos respectivos partidos:



Como se vê, o PDC elegeu quatro vereadores; a UDN três; o PTB base de sustentação do prefeito apenas dois, assim como o PSP. Esse cenário político desfavorável, agravado pelo fato de o vice eleito, Jose Mauro Lacava do PTN, integrar a oposição, explica de certa forma o impeachment de Edgar Grecco em 17 de dezembro de 1965.

Nesse panorama, o processo de cassação do prefeito desencadeou-se após divergências públicas entre o executivo e membros do legislativo, acerca das seguintes denúncias: “distribuir vales para funcionários públicos, descontando no pagamento; ceder verba para o time da Vila Assis Brasil representar a cidade num torneio; isentar uma empresa de impostos”. Com isso, Edgar Grecco tornou-se inelegível por dez anos e não voltou mais a assumir nenhum cargo público.

Sérgio Viola observa que, entre os projetos de sua autoria, foi autor da lei de criação do serviço funeral municipal em 1963. Também contribuiu nas discussões sobre o Plano Diretor da cidade. Com o mandato concluído, Viola tentou prosseguir na vida pública, candidatou-se ao cargo de Prefeito em Mauá, mas sua candidatura foi impugnada por não indicar o vice na chapa.

Seja como for, o fato é que a última atuação política de Sergio Viola foi a defesa dos interesses homem do campo. Com esta perspectiva, contribui para a fundação em 1992 do Sindicato Rural de São Paulo, cuja área de atuação abrangia Miracatu, Itariri e Pedro de Toledo.

Em seguida, na região da zona da Mata, em Pernambuco, travou contato com destacadas figuras da época, tais como Francisco Julião (1915-1999), advogado e fundador das Ligas Camponesas. Também se relacionou com Miguel Arraes de Alencar (1916 - 2005), advogado e economista e três vezes governador de Pernambuco.



JOÃO SÉRGIO RIMAZZA

Fotografia: Daniel Alcarria
Entrevista concedida a Severino Correia Dias
Texto: Prof. William Puntschart

JOÃO SÉRGIO RIMAZZA


Filho de Carolina Leardini Rimazza e de Carlos Mario Rimazza, João Sérgio Rimazza nasceu, em dois de novembro de 1943, na cidade de Mauá. Durante a juventude, além de estudar, gostava de freqüentar bailinhos nas tardes de domingo na sede da Associação Atlética Industrial. Na época, os colegas do Viscondão, tais como, Erol Antico, entre outros, publicaram O Papagaio, jornal da comunidade escolar juvenil, em circulação ao longo da década de 1960.

Na sede do Industrial, Sérgio Rimaza também integrou as categorias de base do time de futebol. Habilidoso foi chamado, já nas décadas de 1960 e 1970, para defender as cores da Vidrobrás, atual Saint Gobain nos disputados campeonatos organizados pelos trabalhadores das indústrias locais. De acordo com seu depoimento, jogou em vários campos do grande ABC, inclusive em Paranapiacaba contra o time local, de nome intrigante: Caixa de Fumaça.

Porém, assim como outros jovens futebolistas da época, Rimaza foi logo procurar emprego. Inicialmente tentou ingressar na Prefeitura de Mauá para ocupar o cargo de Auxiliar de Agrimensor; sem sucesso consegue colocação no escritório de contabilidade Gonzaga. Mais tarde vai trabalhar na Vidrobrás, entre 1961 e 1971, ocupando diferentes funções, inclusive o elevado posto de Assistente de Diretoria.

Nesse contexto ocorre o golpe militar de 1964, responsável pela queda do presidente constitucional de João Goulart e pela profunda alteração do sistema partidário brasileiro. Por meio do Ato Institucional n o 2 de 27 de outubro de 1965, o presidente militar Castelo Branco aboliu todos os partidos existentes, e criou dois novos: a Aliança Renovadora Nacional – ARENA e o Movimento Democrático Brasileiro- MDB.

Mesmo assim, nos municípios brasileiros as eleições eram realizadas, apesar do bipartidarismo, extinto apenas em 1978. Em Mauá nas eleições de 15 de novembro de 1972, as urnas consagram a vitória de Amaury Fiovaranti, pelo MDB com 16.729 votos contra 8227 de Élio Bernardi da ARENA. Nesse pleito, também foram eleitos os seguintes vereadores, representantes do Movimento Democrático Brasileiro- MDB e da Aliança Renovadora Nacional – ARENA:

Fonte: Diário do Grande ABC, de 19/11/1972, p.10.


Rimaza eleito vereador pelo Movimento Democrático Brasileiro de Mauá foi, ao longo de seu mandato, indicado pelos seus pares para ocupar a Presidência da Câmara. Nesse período apresentou, entre outros, os seguintes projetos: Plano para urbanização do Parque São Vicente; criação do Centro Social do São João e do SESI do Jardim Zaíra. Na presidência da Câmara, também, concedeu títulos de cidadão Mauaense ao Cônego Belizário, Coronel Erasmo Dias e Ester de Figueiredo Ferraz.

Concluído o mandato em 1976, opta por não candidatar-se ao cargo de vereador para concorrer ao de vice- prefeito na chapa encabeçada por Manuel Moreira, candidato pela ARENA. Na ocasião, entretanto, as urnas confirmaram a vitória do MDB com Dorival Rezende como prefeito e Éden Brasil da Paz vice.

A partir de então, Rimazza participou da administração do Prefeito Lincoln Grilo em Santo André, durante três anos. Também foi chefe de transporte na primeira administração do prefeito de Mauá Leonel Damo de 1982 a 1988. Mais tarde trabalhou com o ex-prefeito José Carlos Grecco em 1992, na Secretaria de Assuntos Jurídicos, por quatro anos. Já durante a primeira administração do prefeito Osvaldo Dias, em 1997, ocupou cargo de expressão administrativa. Dessa forma, segundo seu testemunho foram dezoito anos dedicados à vida pública. Hoje, aposentado, atua em seu escritório de advocacia no centro da cidade.

Contudo, ao longo das últimas décadas Rimazza tem participado ativamente de eventos culturais e sociais no município. Com tais perspectivas, foi diretor de Marketing da Associação Atlética Industrial e da Associação dos Aposentados e Pensionistas de Mauá além de membro da Rotary Clube de Mauá. Também contribuiu significativamente para o registro da história de Mauá. Inicialmente como membro da Comissão de Memória de Mauá, responsável pela elaboração do livro De Pilar a Mauá do jornalista Ademir Médici. Em seguida fornecendo dados e relatos para a publicação de Associação Atlética Industrial e os Campeonatos do grande ABC também idealizada por Ademir Médici.



JOÃO SASAKI

Fotografia: Daniel Alcarria
Entrevista concedida a Severino Correa Dias em 11 de Agosto de 2010
Texto: Prof. William Puntschart

João Sasaki



João Sasaki, natural de São Joaquim da Barra, interior de São Paulo, nasceu em 5 de novembro de 1939. Seus pais, Kenzo e Suzuki Sasaki, camponeses sem posses procedentes de Hiroshima - cidade japonesa bombardeada pela força aérea americana no final da Segunda Guerra Mundial – chegaram ao Brasil em 1936, para trabalhar na lavoura cafeeira e cultivo do algodão. Após a longa viagem transoceânica desembarcaram em Santos, antes de seguir para Ribeirão Preto.

Mais tarde, em 1946, a família Sasaki estabelece-se definitivamente em Mauá. Assim como muitos imigrantes da terra do sol nascente, os Sasaki dedicaram-se ao cultivo de verduras e hortaliças em um terreno arrendado, ao longo da atual Avenida Benedita Franco da Veiga, em frente à Escola Estadual Olavo Hanssen.

Antes de ingressar na vida pública, porém, João Sasaki atuou como despachante, empresário no ramo de eletroeletrônicos e, mais tarde, contador. Por sinal, devido ao êxito nessa função, foi convidado em 1966 para concorrer à vaga de vereador pela Aliança Renovadora Nacional, ARENA. Também neste ano casa-se com Satiku Sasaki, com quem teve quatro filhos.

Ainda de acordo com seu depoimento, Mauá possuía, no começo da década de 1960, cerca de duzentas e vinte famílias nipônicas cujos membros garantiriam apoio para o seu projeto político. Além dos descendentes da colônia japonesa, Sasaki contou também com o apoio de muitos migrantes nordestinos, aos quais prestara seus serviços contábeis.

Nesse cenário, Sasaki candidata-se e é eleito vereador juntamente com os seguintes pares citados abaixo. A chapa era encabeçada por Élio Bernardi que foi eleito prefeito com 7738 votos derrotando Laurindo Callegari do Movimento Democrático Brasileiro- MDB- com 1776 votos.



Na presidência da Câmara de Mauá em 1968, João Sasaki, entre outros projetos, investiu na aquisição do primeiro carro oficial da Câmara, um Itamaraty modelo do ano. Outra meta alcançada foi separar os orçamentos da Câmara e da Prefeitura, com o intuito de possibilitar à Casa Legislativa autonomia financeira. Inclusive é importante destacar que nesse período não havia remuneração para o ocupante do cargo de vereador, o que só irá ocorrer ao longo da década de 1970.

Sasaki recorda-se, também, de outros projetos de sua autoria. O primeiro, a criação da Circunscrição legal do Trânsito em Mauá. O segundo, Mauá destacar-se na Área Metropolitana de São Paulo. Pois como presidente do legislativo municipal, promoveu o primeiro encontro de Prefeitos e Vereadores da Grande São Paulo, em de julho de 1968, durante o governo de Abreu Sodré.

Já nas eleições seguintes, em 1969, Américo Perrella da ARENA foi eleito Prefeito Municipal com 7.161 votos. No entanto, outros quatro candidatos concorreram para o cargo de Prefeito, obtendo as seguintes votações: Amaury Fioravanti, 2455 votos, José Mauro Lacava, 2068 votos; e Anselmo Walendy com 1061 votos, todos concorrentes pelo Movimento Democrático Brasileiro- MDB.

Já para a Câmara Municipal de Mauá, foram eleitos os seguintes vereadores, representantes da Aliança Renovadora Nacional - ARENA, e do Movimento Democrático Brasileiro- MDB:



Com o intuito de manter a sua identidade cultural nipônica, Sasaki ocupou postos de proa, tais como: Diretor e Presidente, durante cerca de 30 anos, da Associação Cultural Esportiva Nipo Brasileira de Mauá. Também foi Diretor e Vice-presidente do Panatlon clube de Santo André, durante cerca de 16 anos. Ainda na área esportiva, atuou como Diretor de natação do clube Atlético Pirelli de 1986 a 1990, Árbitro de natação da Federação Aquática Paulista ( F.A.P.), Delegado Regional da Federação Aquática Paulista, entre Janeiro de 1992 a Dezembro de 2008.

Atualmente é Vice-presidente da Federação Aquática Paulista, desde 1996, responsável pelas seguintes modalidades: natação, maratonas aquáticas, pólo aquático, nado sincronizado e saltos ornamentais.





WALDEMAR GRECCO

Fotografia: Daniel Alcarria
Entrevista concedida a Severino Correia Dias
Texto: Prof. William Puntschart

Waldemar Grecco



Vereador atuante na primeira legislatura, 1955 a 1959, Waldemar Grecco nasceu em 26 de setembro de 1925, em São João da Boa Vista, interior de São Paulo. Mais tarde, ao longo da década de 1940, com sua família passa a residir em Mauá.

Nessa época, Mauá com cerca de 5.000 habitantes já discutia a importância de sua autonomia político-administrativa, principalmente após a criação, em 1945, da Sociedade Amigos do Distrito de Mauá.

Antes de ingressar na vida pública, entretanto, Waldemar Grecco atuou como jogador de futebol e empresário. Em seu depoimento destaca entre tantos desafios a obtenção em 1947, da carteira de motorista para dirigir caminhão. Assim poderia concretizar um antigo sonho que significava também a possibilidade de atuar num nicho de mercado, cujos concorrentes, monopolizavam o ramo de transporte em caminhão na época.

O exame prático para obter a mencionada carteira ocorreu em 1947 na íngreme ladeira da atual Avenida Portugal em Santo André, próximo ao Hospital da Beneficência Portuguesa. Na ocasião dirigiu um caminhão Ford modelo 1928. A partir de então, consegue financiar seu próprio veículo, com o qual pôde fazer carreto entre Mauá á Mooca, transportando em média três mil unidades de pedras por dia.

Estabelecido profissionalmente, Waldemar casa-se com Palmira Valério Grecco em 16 de abril de 1949. Juntos tiveram três filhos, Cláudio, Claudete e Carlos. Recordar de Dona Palmira, já falecida, desperta grande emoção principalmente ao lembrar-se dos sessenta anos de convívio.

Já com relação á sua atuação política, Waldemar Grecco observa, inicialmente, que naquela época não havia a organização partidária dos dias atuais, tudo era feito de forma precária. Inclusive o exercício do cargo não era renumerado. De qualquer modo, candidatou-se em 1954, pelo Partido Trabalhista Brasileiro, à vaga de vereador. Recorda-se que as principais lideranças políticas de então eram Getúlio Vargas, Élio Bernardi e Ennio Brancalion.

Empenhou-se, de fato, na campanha só no dia anterior das eleições na qual foi eleito com 55 votos, dos 994 contabilizados. Atuando como vereador, destaca o seu projeto para a prefeitura construir uma escadaria próxima a Vila Vitória, o segundo bairro mais populoso de então. Concomitantemente, deu prosseguimento às suas tarefas, quer como motorista quer como jogador de futebol.

Ainda de acordo seu depoimento, retornou às atividades políticas somente em 1962, por ocasião da campanha de seu irmão Edgar Grecco ao cargo de prefeito. Com este objetivo, atuou como jogador de futebol pelo Clube Atlético Floresta, procurando obter dividendos políticos junto ao meio futebolístico. Vale lembrar que o time do Floresta, fundado em 1952 na Vila Vitória, tinha seu próprio campo na área em frente ao atual cemitério da Vila Vitória.

Na verdade, Waldemar Grecco gosta mesmo é de falar de sua atuação no futebol, os títulos conquistados, as faixas guardadas com carinho, as lembranças de uma época que tanto a carreira política quanto a atividade futebolística eram exercidas de forma muito mais despretensiosa.

De 1947 a 1948 jogou futebol no Nacional da capital. Foi campeão pelo ABC três vezes seguidas: em 1949 pelo Ribeirão Pires, em 1950 pelo Independente e, em 1951, novamente pelo Ribeirão Pires. Pela taça Cidade de Mauá, promoção de A Gazeta Esportiva, foi campeão duas vezes, defendendo o Industrial: em 1956 e 1957. Era zagueiro central e lateral esquerdo.

A carreira vitoriosa de Waldemar Grecco defendendo o Nacional e o Ipiranga da capital, além do Industrial de Mauá é destacada por Ademir Médici no livro Industrial de Mauá e os Campeonatos de Futebol do Grande ABC. “Waldemar Grecco foi outro monstro na zaga industrialina. Começou em 1943 no Industrial e ali ficou até 1947. Naquele ano foi para Ribeirão Pires e ali recebeu proposta para se transferir para o Nacional da Primeira Divisão de Profissionais. Treinou no Ipiranga junto com Campos, mas disputou a temporada de 1948 pelo Nacional”, lembra o jornalista.

Waldemar Grecco retornou em 1949 para o Ribeirão Pires e conquistou o primeiro campeonato invicto. Em 1950 foi campeão, no caso bicampeão invicto pelo Industrial, que levantava a primeira divisão de Santo André. Em 1951, novo título seu tri novamente pelo Ribeirão Pires. Em 1952 veio para o Independente, mas só disputou um amistoso. Por problemas de saúde, Grecco abandonava temporariamente o futebol.

Em 1953, Grecco jogou pelo Independente e depois fez o nome pelo time que começou o Industrial. Jogava na zaga e na lateral esquerda. .(p.122)



22 DE NOVEMBRO: UMA DATA POLÍTICA

Por William Puntschart


Na História politica de Mauá, o dia 22 de novembro é muito significativo pois nesta data, em 1953, ocorria o plebiscito, por meio do qual o Distrito de Mauá, integrante do município de Santo André, tornaria-se autônomo, isto é, soberano política e administrativamente.Como se sabe, plebiscito é a consulta popular cujos eleitores optam entre SIM e NÃO frente à determinada questão de interesse público.

Na verdade, a opção pela emancipação já existia entre os munícipes, desde o inicio da década de 40, quando foi criada a Sociedade Amigos do Distrito de Mauá.De acordo com as lideranças da época, a separação era necessária e inevitável, principalmente porque as reivindicações locais não eram atendidas, apesar de o distrito arrecadar e enviar a Santo André consideráveis quantias por meio de impostos.Entre as principais solicitações de serviços públicos destacavam-se: o prolongamento, até a cidade, do percurso dos trens, principalmente noturnos, já que esses faziam o ponto final na estação de Santo André; o calçamento das principais vias e, ainda, a ampliação dos serviços de iluminação pública e de assistência médica.

Aprovado ainda pela Assembléia Legislativa do Estado, a Justiça Eleitoral organizou o processo eleitoral em Mauá, designando quatro seções eleitorais no então Grupo Escolar Visconde de Mauá, próximo à Paineira.Na ocasião, compareceram às urnas 670 eleitores, dos quais 658 optaram pelo SIM, 7 votaram NÃO e 5 anularam ou votaram em branco.

Próximo à Paineira fica a Praça 22 de Novembro, que sofreu intervenção da Administração municipal, por conta do Projeto Centro Vivo (1997 à 2004).O programa foi criado com o principal objetivo de revitalizar a área central da cidade.Com isso, de um lado, o munícipe conquistou mais um importante espaço público de convívio social e familiar.De outro, o poder público recuperou outra época perdida na memória de muitos cidadãos.

Historicamente, a Praça no inicio do século 20 era um grande lago, em virtude do qual foi denominado Tanque dos Morelli, também em alusão a Bernardo Morelli, industrial do ramo ceramista tarde, ainda antes da emancipação denominava-se Praça senador Fláquer.

Durante as festividades de entrega da Praça à população, ocorrida em 4 de abril de 1998, além de show de música popular brasileira com o cantor Martinho da Vila, lideranças públicas, do passado, reafirmaram a importância da obra.Entre tantas, devemos destacar o ex-Prefeito Élio Bernardi, que governou a cidade entre 1959 e 1962, quando edificou a famosa Concha Acústica, na mesma Praça.

Por fim, vale observar que se não fosse a interferência dos vereadores, eleitos após a emancipação, integrantes do Partido da Democracia Cristã, a data de 22 de novembro entraria para a História com maior relevância do que o dia 8 de dezembro.


Prof. Dr. Willian Puntschart, Historiador do Museu Barão de Mauá – Secretaria de Cultura, Esportes e Lazer da Prefeitura do Município de Mauá



ADVERSIDADE POLÍTICA MARCOU A PRIMEIRA LEGISLATURA

Por William Puntschart


Após o plebiscito de 22 de novembro de 1953, foram marcadas, para 3 de outubro do ano seguinte, as primeiras eleições municipais para o legislativo e para o executivo, cujos eleitos não seriam remunerados.Na ocasião, o canteiro Ennio Brancalion e o gerente administrativo Elio Bernardi, ambos do Partido Trabalhista Brasileiro, acabaram sendo empossados, respectivamente, para os cargos de prefeito e vice.

Para desempenhar essas funções, outras três chapas concorreram nesse pleito eleitoral. A primeira, integrada pelos membros do Partido Social Democrático, encabeçada por Ariocy Rodrigues Costa e Mário Milanese para vice. A segunda, formada pela coligação do Partido Social Progressista com a União Democrática Nacional (PSP-UDN), cujos candidatos a prefeito e a vice foram respectivamente Egmont Fink e Tercilio Tamagnini.E ainda, a terceira, constituída por filiados da coligação do Partido Trabalhista Nacional com o Partido Democrata Cristão, tendo Cícero de Campos Póvoa, candidato à prefeito e Liberali Polisel a vice.

Já para a Câmara Municipal de Mauá, no entanto, foram escolhidos os seguintes vereadores, representantes de diferentes forças políticas e sociais, conforme o quadro a seguir:





Prof. Dr. Willian Puntschart, Historiador do Museu Barão de Mauá – Secretaria de Cultura, Esportes e Lazer da Prefeitura do Município de Mauá


EVOLUÇÃO HISTÓRICO-POLÍTICO DA CÂMARA MUNICIPAL DE MAUÁ

Por Daniel Alcarria


A Câmara Municipal de Mauá foi instalada a 1º de janeiro de 1955, às 10 horas da manhã em prédio próprio localizado à Avenida Barão de Mauá, 158, ao lado da Prefeitura.A Cerimônia foi presidida pelo Juiz eleitoral da 156º Zona eleitoral de Mauá e Ribeirão Pires, Dr. Jesuíno Ubaldo Cardoso.Na ocasião também foi eleita a primeira mesa diretora da Câmara, assim constituída: Presidente, JORGE PASCHOALICK; Vice-Presidente, INOCÊNCIO PEDRO; 1º Secretário, PEDRO CHIAROTTO; 2º Secretário, ANGELO GIANONI e 3º Secretário, JOSÉ MAURO LACAVA.

Nessa época, a Câmara funcionava uma vez por semana, às quartas-feiras, a partir das 20h e o cargo de vereador não era remunerado.Em 1957 sua sede foi transferida para o número 23 da mesma avenida e, em 1978, para a Praça 22 de Novembro, número 52.

De 09 de julho de 1986 até 31 de julho de 2007, a casa de leis esteve localizada á Rua Vitorino Dell'Antonia, 271, onde outrora fora a Biblioteca Municipal.O prédio atualmente pertence à Faculdade de Mauá (FAMA) que, em parceria com o poder executivo, ficou responsável pela construção do atual prédio, localizado na Avenida João Ramalho, 305.

A atual sede da Câmara municipal foi inaugurada na gestão do Presidente Diniz Lopes dos Santos em dezembro de 2006.A abertura do espaço para a população ocorreu em 1º de agosto de 2007 e a primeira sessão foi realizada em 07 de agosto do mesmo ano, presidida por Alberto Pereira Justino.

A Câmara Municipal ajudou a escrever importantes páginas de nossa história local, palco de inúmeras manifestações de caráter político-cultural, o poder legislativo sempre esteve em sintonia com os anseios de progresso e desenvolvimento que caracterizam a cidade de Mauá.

Historicamente, a Câmara foi palco de intensos debates sobre diferentes questões sociais, trabalhistas e políticas, tais como: a luta dos trabalhadores das porcelanas, que resultou na fundação do Sindicato dos Ceramistas em 1957; a resistência à Ditadura militar e apoio aos trabalhadores por ocasião da intervenção dos Sindicatos após o golpe militar de 1964; a fundação da UNIME (União Municipal dos Estudantes de Mauá) em 1963, o apoio irrestrito à Anistia e às Diretas Já, o apoio ao movimento dos estudantes pelo Impeachment de Collor, enfim, uma longa e rica História.

Atualmente a Câmara de Mauá conta com 17 vereadores das mais diversas matizes políticas e ideológicas. Dentre as ações que merecem destaque na atual legislatura 2009/2010, presidida pelo Vereador José Rogério Moreira Santana, do PT, está o fato de ser hoje a Câmara um espaço totalmente aberto às mais variadas ações da população mauaense, como lançamento de livros e CD's, exposições, seminários, encontros, manifestações políticas entre outras ações.


Daniel Alcarria – Jornalista, funcionário público e membro participante do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico de Mauá.

DADOS BIOGRÁFICOS DOS PRESIDENTES DA CÂMARA MUNICIPAL DE MAUÁ

Ao clicar em cada fotografia, saiba o histórico de cada um dos vereadores que assumiram a Presidência da Câmara. Os textos biográficos foram compilados do livro “Participação política em Mauá: da emancipação às conquistas sociais – 1954-2004” [MAUÁ (Cidade) São Paulo: Imprensa Oficial, 2004], e atualizados pela Assessoria de Comunicação e Cerimonial da Câmara.






JORGE PASCHOALICK

Nascido em 19 de dezembro de 1914, em Botucatu, interior de São Paulo, filho de Francisco Paschoalick e Zelinda Paschoalick.Procurador Geral e morador de Mauá desde 1952, participou do processo de emancipação política, sendo eleito em 1954 pelo Partido Trabalhista Nacional (PTN), mas se considerava representante do Partido da Democracia Cristã (PDC).Foi eleito com 94 votos na primeira eleição realizada em Mauá em 19 de julho de 1954.

Antes mesmo de residir definitivamente em Mauá, Jorge Paschoalick já havia atuado na Revolução de 1932, nas fileiras paulistas contra a Ditadura de Vargas.No inicio da década de 1950, adquire uma área em Mauá, onde constroe sua casa e inicia também sua vida politica na cidade, quando participou ativamente do movimento emancipacionista.

Já na condição de Presidente da Câmara de Mauá, Jorge Paschoalick foi responsável pela condução dos trabalhos no legislativo, tendo inclusive administrado disputas políticas existentes na época.Entre os principais atos frente ao Legislativo mauaense estão a expansão do serviço telefônico na cidade, a liberação de proprietários de bicicletas do pagamento de taxas de licenciamento e a ampliação do asfaltamento em toda cidade, com o qual foi possível inclusive a interligação com Ribeirão Pires.

Entretanto, a mais importante e polêmica proposta apresentada pelo Vereador e Presidente foi o que fixou o feriado da cidade.Por princípios de ordem partidária e religiosa (Jorge Paschoalick trocaria o PTN, agremiação pela qual foi eleito, pelo Partido Democrata Cristão) a data de 8 de dezembro foi proposta por conta de ser também o dia da justiça e, sobretudo, o dia de Nossa Senhora Maria Imaculada.Muitos oposicionistas, tanto da época como ainda hoje, não aceitam a data, pois consideravam mais correto o dia 22 de novembro, data do plebiscito que resultou na autonomia de Mauá em relação à Santo André.

A Primeira iniciativa visando a preservação do patrimônio cultural de Mauá foi a lei 192, de 11 de junho de 1958, promulgada pelo então presidente da Câmara Jorge Paschoalick, que criava a comissão municipal de cultura, subordinada diretamente ao Prefeito Ennio Brancallion.Composta por 5 membros escolhidos entre os munícipes, sem remuneração, tinha como missão, além de preservar o patrimônio cultural, histórico, artístico e folclórico do município, promover intercâmbio cultural, festividades, conferências e outros eventos.

JOSÉ MAURO LACAVA

Nasceu em Mauá em 10 de maio de 1919.Filho de Luiz Lacava e Maria Coradi.Iniciou sua vida profissional na Atlântis do Brasil , depois foi trabalhar na Porcelana Real.

Na primeira eleição municipal, Lacava candidatou-se a vereador pelo PSP( Partido Social Progressista), sendo eleito para o mandato de 1955 a 1959.Nessa primeira legislatura, Lacava presidiu a Câmara entre 1956 e 1957.Em 1958, ainda pelo mesmo Partido, reelegeu-se.

Nas eleições de 1962, ingressou no PDC, onde foi escolhido para ser candidato à Vice-prefeito na chapa de Ennio Brancalion.Conseguiu eleger-se, apesar da derrota de seu companheiro de chapa.Exerceria o mandato de 1963 a 1967, mas com a cassação de Edgard Grecco em 1965, Lacava assumiu a Prefeitura, completando o mandato.

Posteriormente, já no MDB, candidatou-se para prefeito nas eleições de 1969, mas acabou derrotado.Abandonou a política e voltou a trabalhar na Porcelana Real como vendedor externo.Faleceu em 27 de julho de 1983.

CLAYTON FERNANDES

Em construção

INOCÊNCIO PEDRO

Em construção

ARSÍDIO FERNANDES

Nascido em Paranapiacaba no dia 13 de setembro de 1920, já falecido, filho de agostinho Fernandes e Maria de Lourdes Fernandes.Era almoxarife antes de ingressar na vida política.Em seu primeiro mandato foi eleito pelo PTB e presidiu a Câmara durante o ano de 1961.Voltou a chefia do legislativo local, eleito pela ARENA, entre os anos de 1970 e 1972.

VICENTE ORLANDO

Natural de Rio Grande da Serra, nascido em 26 de dezembro de 1922 e falecido em 14 de outubro de 1985, Vicente Orlando, contador e advogado, eleito vereador em 1959 pelo Partido Trabalhista Brasileiro, ocupou a presidência da Câmara de Mauá de 1º de janeiro de 1962 a 31 de dezembro de 1962.

LAURINDO CALLEGARI

Nasceu em Ipauçu, São Paulo em 02 de janeiro de 1922; já falecido, filho de Ângelo Callegari e Inês Callegari.Farmacêutico, foi eleito em 1962 pelo PDC, e chefiou o legislativo de 1963 a 1966.

ANSELMO HARALDT WALENDY

Nascido em Mauá em 25 de dezembro de 1926, Walendy, já falecido, era filho de Augusto Walendy e Minna Walendy.Empresário do ramo de diversões e corretor de imóveis foi eleito vereador pela Aliança Renovadora Nacional (ARENA).Ano do mandato de presidente:1967.

JOÃO SASAKI

Natural de São Joaquim, interior de São Paulo, nasceu em 05 de novembro de 1939.Filho de Kenzo sasaki e Suzuko Sasaki.Comerciante, eleito vereador em 1966 pela ARENA, presidiu a Câmara no ano de 1968.

LUIZ GONZAGA DO AMARAL JUNIOR

Paulistano, nasceu em 20 de julho de 1934, filho de Luiz Gonzaga do Amaral e Angelina Vieira do Amaral.Professor, foi eleito em 1966 pela ARENA, e seu mandato como presidente da Câmara foi entre 1969 e 1970.

FRANCISCO MOACYR GARCIA

Nascido em 10 de julho de 1935 em São Manoel, interior paulista, filho de Serafim Garcia e Gertrudes Garcia.Profissional do comércio, eleito vereador em 1969 pela ARENA, esteve na chefia do legislativo entre 1972 e 1973.

APARECIDO SANVIDOTTI

Paulista de São Manoel nasceu a 26 de agosto de 1935, filho de Pedro Sanvidotti e Lavínia Nicolini.Funcionário Público estadual foi eleito como vereador em 1972 pelo MDB e presidiu a Câmara de 1973 a 1975.

JOÃO SÉRGIO RIMAZZA

Mauaense, nascido em 02 de novembro de 1943, filho de Carlos M. Rimazza e Carolina Leardini Rimazza.Técnico industrial, atualmente advogado, elegeu-se vereador em 1972 pelo MDB, sendo presidente entre 1975 e 1977.

ALEXANDRE MACIANO RATTI

Em construção

ORLANDO FRANCISCO

Nascido em Boa Esperança do Sul, São Paulo em 04 de outubro de 1931.Filho de Antonio Francisco e Margarida Maria.Corretor, eleito vereador em 1976 pelo MDB.Exerceu a presidência da Câmara entre 1979 e 1980.

ADMIR JACOMUSSI

Nascido em São Paulo em 27 de setembro de 1948, Jacomussi é filho de Waldomiro Jacomussi e Alice Túlio Jacomussi.Eleito para a Câmara Municipal de Mauá pela Aliança Renovadora Nacional (ARENA) em 1972, na época funcionário público municipal.Ocupou a presidência da Câmara em 1981, 1982, 1987, 1988,1989 e 1990.

EDGARD GRECCO FILHO

Andreense, filho do ex-prefeito Edgard Grecco e de Ordália Ferreira Grecco.Funcionário público, eleito vereador pelo PDS (Partido Democrático Social) em 1982, e exerceu a presidência da Câmara entre 1983 e 1985.

HÉLCIO ANTONIO DA SILVA

Nasceu em 22 de fevereiro de 1963, filho de Antonio José da Silva Neto e Ruth Firmiano da Silva.Eleito para o legislativo municipal em 1988 pelo Partido dos Trabalhadores, na época era advogado.Ocupou a presidência da Câmara em 1991, 1997 e 2001.

CLÓVIS VOLPI

Nasceu em Rancharia, interior de São Paulo em 20 de fevereiro de 1948, filho de Alípio Volpi e Dertiza Gilioli Volpi.Exercia a atividade profissional de professor quando ingressou na política.Pelo PMDB elegeu-se vereador e foi presidente da Câmara de 1993 a 1994.Foi ainda presidente estadual do PSDB, deputado estadual entre 1998 a 2000 e deputado federal entre 2001 e 2002.Atualmente é prefeito reeleito de Ribeirão Pires (2005 a 2012).

FRANCISCO ESMERALDO FELIPE CARNEIRO

Nascido em Paranapiacaba, distrito de Santo André em 19 de dezembro de 1962, filho de Araujo Carneiro e Carmen Felipe Carneiro.Eleito em 1996 vereador, presidiu a Câmara em 1990 a 2000.

DINIZ LOPES DOS SANTOS

Mauaense, nasceu em 20 de junho de 1964, filho de José Lopes Moitinho e Zildir Ferreira dos Santos Moitinho.Foi eleito para a Câmara Municipal pelo Partido Liberal (PL) em 1996 e em 2000, na época funcionário público.Presidiu a Câmara entre 2003 e 2006.Entre janeiro e dezembro de 2005 ocupou interinamente a chefia do poder executivo.

CARLOS ALBERTO POLISEL

O Vereador CARLOS ALBERTO POLISEL assumiu a Presidência da Câmara Municipal no período que o Presidente de fato era DINIZ LOPES DOS SANTOS.Com o imbrólio jurídico que se sucedeu após as eleições de 2004, assumiu o comando do executivo o então Presidente da Câmara Diniz Lopes dos Santos.Seu vice-presidente da Câmara Carlos Alberto Polisel assumiu provisóriamente a Presidência do legislativo mauaense, ao mesmo tempo que Diniz ficou à frente da Prefeitura de Mauá.

ALBERTO PEREIRA JUSTINO (2007-2008)

Nasceu aos 17 de junho de 1966 em Mauá, filho do Pastor Justino e Irmã Nina, ambos da Igreja Evangélica Assembléia de Deus. Antes de entrar na política trabalhou em empresas como Atlântica, Piaci Metalúrgica e Lorenzetti. Na Volkswagen do Brasil trabalhou de 1985 à 1989. De 1989 à 1992 foi comerciante nos ramos de Lava Rápido, Supermercado e Padaria.

Foi ainda Superintendente do SAMA (Companhia de Água de Mauá).Presidiu a Câmara no biênio 2007/2008.

JOSÉ ROGÉRIO MOREIRA SANTANA (2009-2012)

Natural de Rio Largo, interior de Alagoas, filho de Manoel Moreira de Santana e de Maria José da Silva Santana, Rogério Santana nasceu em 26 de outubro de 1965 e veio para Mauá em 1986.Iniciou sua vida pública atuando na Comunidade Dom Oscar Romero, no Parque das Américas.Foi também líder da juventude do PT e Coordenador do programa “Oficinas culturais” entre 1997 e 1999.Eleito em 2000 e reeleito em 2004 e 2008, assumiu a presidência do legislativo para o biênio 2009/2012.

PAULO SERGIO SUARES (2013-2014)

Paulo Suares é contabilista, casado e pai de uma filha. Esteve a frente de várias secretarias e diretorias nas administrações municipais do PT no período de 1997 a 2004. Filho mais velho de um casal de agricultores, paranaense de berço, adotou Mauá no início da década de 80 como cidade de coração, reconhecendo nela a mesma origem humilde.

FRANCISCO MARCELO DE OLIVEIRA (2015-2016)

Marcelo Oliveira tem sua trajetória de vida ligada à defesa dos trabalhadores. Natural de Mauá, é casado e tem formação universitária em Processos de Produção. Iniciou sua atividade profissional em comércios da cidade e em 1994 foi admitido na General Motors do Brasil, em São Caetano do Sul. Foi neste período que começou sua militância sindical, sendo eleito representante dos trabalhadores da CIPA (Comissão Interna de Prevenção a Acidentes) por 6 (seis) mandatos consecutivos, dos quais 2 como vice-presidente.


Mauá, imagens e História. A construção da memória.

 
 
A ideia nesta parte é apresentar as imagens enquanto mensagem e construção histórica que se elaboram através do tempo, tanto como imagem/monumento quanto como imagem/documento, bem como testemunho direto quanto indireto do passado. Nesse sentido, a Câmara de Mauá estabelece através deste canal um espaço direcionado à construção da memória com ênfase à participação do Poder Legislativo na história mauaense.

 
A poetisa Léa Ap. de Oliveira. Fonte - Acervo do Museu Barão de Mauá A poetisa Léa Ap. de Oliveira. Fonte - Acervo do Museu Barão de Mauá

 
 
Desfile da Guarda Municipal em frente à Câmara na Avenida. Fonte - Acervo do Museu Barão de Mauá Desfile da Guarda Municipal em frente à Câmara na Avenida. Fonte - Acervo do Museu Barão de Mauá

 
 
Discurso de Ennio Brancalion - anos 50. Fonte - Acervo do Museu Barão de Mauá Discurso de Ennio Brancalion - anos 50. Fonte - Acervo do Museu Barão de Mauá

 
 
Fotografia da 1ª bancada de vereadores eleita em 1954. Jornal de Mauá. Acervo Museu Barão de Mauá Fotografia da 1ª bancada de vereadores eleita em 1954. Jornal de Mauá. Acervo Museu Barão de Mauá

 
 
Passagem em nível - atual passarela - entre a Av. Capitão João e Rua Rio Branco. Destaque Faixa de convocação para plesbicito de emancipação. Fonte - Acervo do Museu Barão de Mauá Passagem em nível - atual passarela - entre a Av. Capitão João e Rua Rio Branco. Destaque Faixa de convocação para plesbicito de emancipação. Fonte - Acervo do Museu Barão de Mauá

 
 
Sergio Viola 1. Fonte - Acervo do Museu Barão de Mauá Sergio Viola 1. Fonte - Acervo do Museu Barão de Mauá

 
 
Sergio Viola 2. Fonte - Acervo do Museu Barão de Mauá Sergio Viola 2. Fonte - Acervo do Museu Barão de Mauá

 
 
Sergio Viola 3. Fonte - Acervo do Museu Barão de Mauá Sergio Viola 3. Fonte - Acervo do Museu Barão de Mauá